Da redução de custos ao aumento de eficiência, a automação é hoje um dos caminhos mais rápidos para ganhar produtividade
A busca por competitividade no setor industrial brasileiro encontrou na automação não apenas uma tendência, mas o caminho mais curto para otimizar processos e garantir sustentabilidade financeira. Diferente de outras estratégias de reestruturação que podem levar anos para maturar, a modernização tecnológica permite que indústrias de diversos portes identifiquem melhorias operacionais logo após a implementação. Embora o tempo para a consolidação dos resultados varie conforme a complexidade de cada planta, a estabilização dos sistemas costuma entregar ganhos tangíveis de produtividade em poucos meses, transformando a rotina do chão de fábrica e eliminando gargalos históricos de forma acelerada.
De acordo com Hugo Ferreira, Diretor da PMA Automação Industrial e especialista em desenvolvimento econômico, o segredo para esse retorno ágil está no ataque direto aos maiores desperdícios das fábricas, como o retrabalho e as paradas não planejadas. “A automação atua na raiz da variabilidade operacional. Hoje, o maior ralo de recursos nas empresas está nas atividades repetitivas que geram falhas humanas e oscilações na produção. Quando estabilizamos o processo, o ganho de eficiência é percebido quase imediatamente, pois a tecnologia assegura uma constância que o trabalho manual dificilmente alcança sozinho”, pontua.
Para as pequenas e médias empresas que hesitam diante de grandes investimentos, o especialista ressalta que o mercado já oferece soluções mais enxutas e de rápida implementação. Segundo ele, existem sistemas que funcionam de maneira modular, permitindo que a indústria comece a automatizar pontos críticos sem paralisar toda a operação. Contudo, Hugo alerta que a velocidade não dispensa o planejamento: “Muitos gestores buscam o que chamamos de ‘plug-and-play’, mas até a solução mais simples exige um diagnóstico prévio. O erro mais comum é tentar automatizar um processo que sequer foi mapeado. Sem essa estratégia, a tecnologia pode acabar evidenciando falhas de gestão em vez de corrigi-las”.
No que diz respeito aos indicadores de sucesso, o foco deve estar na padronização e na qualidade, que acabam sendo os grandes motores da redução de custos a longo prazo. O diretor da PMA explica que, antes de olhar apenas para o corte de despesas, a indústria deve monitorar a disponibilidade operacional e a redução de perdas. “A automação é, acima de tudo, uma ferramenta de precisão. O benefício mais imediato para o mercado é a entrega de produtos com qualidade constante. Isso reduz drasticamente o desperdício de matéria-prima, o que reflete de forma direta e positiva no ROI do projeto”, diz.
Além da eficiência técnica, a tecnologia surge como uma resposta estratégica para a crônica falta de mão de obra qualificada no país. Ao delegar tarefas exaustivas e mecânicas aos sistemas automatizados, as empresas conseguem realocar seus talentos para funções analíticas e de gestão. “Não se trata de substituir pessoas, mas de potencializar a capacidade humana. A tecnologia preenche a lacuna operacional de forma ágil, permitindo que a equipe foque no que realmente agrega valor ao negócio. É essa combinação entre inteligência técnica e operacional que coloca a indústria em um novo patamar de excelência”, conclui o palestrante.
Fonte: Hugo Ferreira — Diretor PMA Automação Industrial | Especialista em Desenvolvimento Economico e Tecnológico | Palestrante


